domingo, 20 de agosto de 2017

FESTIVAL DE COROS INFANTOJUVENÍS 2017 – THEATRO MUNICIPAL EM 20 DE AGOSTO


 Domingo de frio, céu encoberto e chuva se anunciando devagar para cair a toda em pouco tempo. Grande desafio para sair de casa. De ônibus. Desafios me motivam e eu tinha companhia. Wanda se deslocou de Alphaville, enfrentou estrada de ida e volta para me fazer companhia.

O programa: FESTIVAL DE COROS INFANTOJUVENIS 2017 na programação Domingo no Municipal às 12:00h.

Sempre gostei de coros. Em óperas os coros me encantam principalmente os de Verdi. Mas, quem não gosta do seu coro do terceiro ato da ópera Nabuco Va Pensiero (vá pensamento) dos prisioneiros judeus na Babilônia?

E neste domingo chuvoso e frio, teria oportunidade de ouvir nada menos do que quatro coros:
CORAL PAULISTANO - desde 1936 fazendo parte do TM. Do tempo de Mário de Andrade

CORAL JUVENIL DA OSESP – mais jovem, de 2004 com jovens de 14 a 17 anos

CORAL DA GENTE DO INSTITUTO BACCARELLI -com crianças de 4 a 14 anos da comunidade de Heliópolis que se usam voz e expressão corporal com formação centrada no desenvolvimento de valores para a vida em sociedade

CORAL INFANTOJUVENIL DA ESCOLA DE MÚSICA, desde 1977 mas com interrupção entre 1989 a 2011 para alunos da Escola Municipal de Música até 14 anos.

E comprovar a capacidade profissional de regentes como Naomi Munakata, Regina Kinjo, Paulo César Moura, Maíra Ferreira.

Impossível falar no programa todo. Mas, ver o palco colorido e vibrante, com uma criançada e moçada, deu uma esperança no futuro porque, é nas mãos deles que teremos decisões.
Sob pena de deixar muitas sem registro, sorteei as que mais me agradaram:

 - As Duas Velhinhas – Oswaldo L. Mori e Cecilia Meireles
 - Bambambulelê – do folclore brasileiro
 - Hine Mah Tov- canção tradicional judaica
 - Com narração e coro - Dom Quixote, Vida e Morte em 8 pequenas peças descritas e cantadas.
 - Feira de Mangaio – Sivuca/Glorinha Gadelha
 - Feijoada Completa – Chico Buarque
 - Cálice –Chico Buarque/Gilberto Gil
 - De Frente pro Crime – João Bosco
 - Upa neguinho – Edu Lobo/Gianfrancesco Guarnieri
 - Tanto Mar – Chico Buarque
 - Eu Sei Que Vou Te Amar – Tom Jobim/Vinicius de Moraes.

Qualquer comentário seria insuficiente.  Não há palavras para descrever a satisfação, o prazer de ver e ouvir esses coros.  Quem não viu, perdeu. Restam recursos de Internet ou esperar que a TV Cultura apresente no seu programa Clássicos dos sábados, a gravação na íntegra.


 O programa digitalizado só para completar:

sábado, 12 de agosto de 2017

FESTIVAL LAB60+ Três dias de atividades com foco em LONGEVIDADE - 10/11/12 DE AGOSTO DE 2017 nos espaços da UNIBES CULTURAL


Uma das atividade de  sexta-feira 11/08/2017
19h30-21h30 - Playback Talks *inédito*
Espetáculo teatral e improviso realizado a partir de relatos de histórias de fracassos de seniores bem-sucedidos do movimento LAB60+, sem ensaios ou combinações prévias.
Artistas:
Grupo Mirar Playback Theatre

Playback Theatre (ou Teatro Playback como conhecido na América Latina) é uma forma original de teatro em que uma da plateia conta uma história de vida e um grupo de atores encenam espontaneamente. O condutor, elo entre a Companhia de Teatro Playback e a plateia, convida um espectador a contar uma história para assistir em forma de arte. Musicistas criam o ambiente e dão cor às cenas.
O Mirar Playback Theatre é um grupo de teatro que propõe a articulação de espaços reais de conversa onde quaisquer pessoas possam reviver e ressignificar suas próprias histórias por meio de experiências estéticas sensíveis despertadas pelo teatro playback.
Direção: Marta Faria e Péricles Rágio  -  Playbackers: Elida Strazzi, Felipe de Souza, Gabriela Ries, Kenia Tavares e Laura Amorim

Participantes convidados da Lab60+ no Festival da Unibes

 - Wellington Nogueira
 - Tetê Brandolim
 - Neuza Guerreiro de Carvalho

TETÊ BRAMDOLIM -  como é chamada, diz que nasceu duas vezes: a primeira quando veio ao mundo, em 1930, e, 82 anos depois, ao realizar o sonho de aprender a ler e escrever. Alfabetizada pelo método Paulo Freire, a neta de imigrantes italianos se descobriu artista plástica e retrata em tela o florescer de uma nova vida na terceira idade. Já são mais de 400 obras feitas por Tetê com chita (tecido simples de algodão).
Nasceu na zona rural de Monte Azul Paulista (SP) e, mais velha de seis irmãos, trabalhava em meio a plantações de milho, arroz, feijão, algodão. Ainda criança, chegou a frequentar a escola. Mas vinha a época da colheita, e os pais acabavam tirando-a da sala de aula, para ajudá-los na lavoura.
Depois de muitos anos tentando em vão, em 2013, encontrou Jany, especialista em alfabetização de adultos e que usa o método Paulo Freire para ensinar. A primeira coisa que aprendeu foi escrever o nome dos filhos. Aprendeu a escrever a receita do seu pão, e usando as coisas do dia a dia, em seis meses, estava alfabetizada
O contato com a chita foi nas aulas com a Jany para decorar cartões, usou retalhos e foi colando no papel. Sobrou tecido, usou cartolina e começou a compor um quadro. Concluiu o primeiro e não parou mais. Hoje tem mais de 400 obras.

dona Tetê trabalhando em colagens de seus quadros
Dona Tetê esteve no Festival Lab60+ falou sobre sua vida e teve o que contou teatralizado pelo grupo de teatro MIRAR.  Pena que não dá para anexar o vídeo, mas posso comentar que foi excelente composição e expressões corporais representando a história.

NEUZA GUERREIRO DE CARVALHO - EU   - Não há necessidade de falar sobre minha vida. O grupo já me conhecia bem porque faz pesquisas sobre os personagens que vão representar. E, minha vida está toda representada no Blog.(www.vovoneuza.blogspot.com).
Do que respondi quando perguntada, usaram bem o sapo como meu bicho importante em momentos da minha vida: na faculdade quando o usávamos para estudos de fisiologia e na vida familiar da década de 50 quando ainda era usado para diagnostico de gravidez. E a minha ansiedade de saber e compartilhar muito bem representada pelos cinco componentes.
A representação teatral foi comovente porque conseguiram, no improviso, sem palavras, só com o gestual de corpo e mãos (muito expressivas), com apoio de lenços coloridos, passar o importante de minha vida. Deveras emocionada.
Foi tão bonita a apresentação que se eu conseguir o vídeo, prometo que publico em algum momento.  

WELLINGTON NOGUEIRA - nascido em 1960. Formou-se pela Academia Americana de Teatro Dramático e Musical de Nova Iorque.

Nos anos 90, Wellington Nogueira trabalhava nos Estados Unidos com uma trupe de palhaços que realizava intervenções em hospitais de Nova Iorque. Era algo muito inusitado. Em 1990, retornou a São Paulo para visitar seu pai na UTI do Instituto do Coração. E ali, acidentalmente foi se apresentar como palhaço para crianças do Hospital e então, tudo começou.

No ano seguinte, voltou para o Brasil e começou o trabalho”, em setembro de 1991, surgindo os DOUTORES DA ALEGRIA, entidade da qual Wellington é coordenador geral e onde exerce o papel do palhaço "Dr. Zinho".



No início, sem sede fixa, a ONG se estabeleceu na casa da Dona Benvinda, mãe de Wellington. “Não havia e-mail. Usávamos papel carbono e máquina de escrever“.
E hoje, 26 anos depois continuamos atuando em vários hospitais atuamos em hospitais do Campo Limpo à Itaquera. Também já atuamos em diversos espaços culturais, ruas e empresas desta enorme cidade. 
Doutores da Alegria é uma organização não governamental fundada por Wellington Nogueira em 1991, visando levar conforto ao público infantil enfermo. A ONG atua junto a crianças hospitalizadas, seus pais e profissionais da saúde, colaborando para a transformação do ambiente onde se inserem. Já realizou mais de 1.000.000 de visitas com um elenco de cerca de 40 palhaços profissionais, que atuam em hospitais públicos das cidades de São Paulo e Recife.

 Um parêntesis importante
Hoje, 11 de agosto de 2017 encontrei pela primeira vez Wellington.  E dei a ele um choque emocional. Por que
Em 2000, quando fazia o curso do Museu da Pessoa sobre Agentes da História, Benvinda, mãe de Wellington fazia parte do grupo. Tenho pasta do curso, tenho fotos de Benvinda, do que ela escreveu e do que ela postou nesse curso. Ela morreu em 2004 e Welington não tinha o menor conhecimento desse material. Imagine o impacto ao ver o que vem a seguir:
 
  
Wellington aos 15 anos com representante da MobilOil

Comentário da mãe de Wellington - Benvinda

Emoções sentidas e compartilhadas de alguma maneira nos ligou.

Voltando ao evento, Wellington teve oportunidade de, com um grande senso de humor comentar o que ele faz, como o realiza e depois teve a sua fala e sua vida representada pelo grupo de teatro que, de improviso usando mãos, expressões corporais adequadas, muito envolvimento e material adequado (nariz de palhaço) introduziu no vocabulário uma nova palavra BESTEIOROLOGIA como recurso terapêutico e humano nos tratamentos principalmente de crianças. Os BESTEIROLOGISTAS já fazem parte do quadro profissional de muitos hospitais. .... A fotos abaixo mostra um momento de atuação de um besteirologista.
Atuação de Besteirologistas


Doutores da Alegria

CINCO COISAS QUE VOCÊ NÃO SABIA   e vai ficar sabendoSOBRE DOUTORES DA ALEGRIA       -  
23/06/2017

1. Os palhaços não são médicos, são artistas. - Fazemos uma paródia do médico, a figura de maior autoridade nos hospitais, justamente para criar um contraponto na relação com as crianças. Os palhaços se apresentam como besteirologistas e a diferença também se dá na disposição de cada um – o médico se prepara para o acerto; o palhaço, para o erro. 

2. O trabalho é gratuito para os hospitais, mas não é voluntário.

3. Nossa inspiração não foi Patch Adams. Mas, ambos beberam da mesma fonte, que é a arte do palhaço. 

4. Temos uma Escola. Com um  Programa de Formação de Palhaço para Jovens

5. Somos uma associação, não um grupo. Todos são remunerados e trabalham de forma não voluntária.



FIM DAS ATIVIDADES DA SEXTA FEIRA 11 DO LAB60+ NA UNIBES

DIVULGAÇÃO INCOMPLETA

Desculpas
A  informação do curso do CIEE saiu incompleta.Aqui vai o resto:
inicio: 24 de agosto 2017
Local: CIEE da rua Tabapuã 540
Horário  - 9:30h - 12:00 - convem chegar mais cedo. Café da manhã
Inscrições obrigatórias através do endereço: www.ciee.org.br
Faixa da esquerda - Institucional - Agenda - Eventos.  
Vale a pena estar lá.

sábado, 5 de agosto de 2017

DIVULGAÇÃO- CURSO SOBRE SÃO PAULO- CIEE

14º CURSO DE HISTÓRIA DE SÃO PAULO
TEMA: SÃO PAULO DAS LETRAS E ARTES


DATA
TEMA DA AULA
DOCENTE


24/8
Barroco e ecletismo no patrimônio sacro de São Paulo
Percival Tirapeli
(Universidade Estadual Paulista)


31/8
Música na cidade colonial
Cláudia A. Polastre
(Faculdade Mozarteum de São Paulo)


14/9
A Semana de 22 e o modernismo brasileiro
Evando Batista Nascimento
(Universidade Federal de Juiz de Fora)


21/9
Caricaturas na literatura paulista do pré-modernismo
Sylvia Helena Telarolli de Almeida Leite
(Universidade Estadual Paulista)


28/9
Arte e memória nos cemitérios de São Paulo
José de Souza Martins
(Universidade de São Paulo)


5/10
São Paulo nas telas de cinema
Mauricio Cardoso
(Universidade de São Paulo)


19/10
O lugar de São Paulo na história do design
Helena Rugai Bastos
(Universidade Federal do Rio Grande do Norte)


26/10
A contracultura na arquitetura de São Paulo: uma abordagem transdisciplinar (1956-1979)
Edite Galote Rodrigues Carranza
(Universidade São Judas Tadeu)


9/11
A sociabilidade modernista
Marcos Antonio de Moraes
(Universidade de São Paulo)


16/11
Herança cultural: memória e esquecimento
Silvia Helena Zanirato
(Universidade de São Paulo)


iNSCRIÇÃO NO SITE CIEE

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

EU E A MODERNA TECNOLOGIA





Este é o meu cartão de visitas mais atual. Tem só informações básicas.
O quadradinho à esquerda não é decoração. É um QRCode (Código QR - sigla do inglês Quick Response)
O que é isso?
QRCode é um código de barras bidimensional que pode ser facilmente digitalizado usando a maioria dos telefones celulares equipados com câmera. Esse código é convertido em texto.
Em cartões de visita, por exemplo, o código QR facilita muito a inserção desses dados em agendas de telefones celulares.
É mais fácil pagar uma conta bancária via Internet se você tiver um leitor de QRCode para validação digital.
Para extrair os dados codificados no QRCode é preciso ter no celular um aplicativo de leitura como o QRCode Reader por ex.

Se vc quiser ter uma “decoração” dessas em seu cartão de visitas, entre em contato com meu e-mail.  Eu sei quem faz.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

PARQUE TENENTE SIQUEIRA CAMPOS - PARQUE TRIANON


Parque Tenente Siqueira Campos, ou Parque Trianon? O nome oficial ou o nome popular pelo qual é conhecido?

A referência é sobre o belo parque que, no meio da Avenida Paulista dá o verde necessário, que equilibra todo o resto dela, multicolorida pelos ônibus, pessoas circulantes, quer inverno ou verão com roupas coloridas, seu canteiro central de postes e lâmpadas e que já foi mais bonito no tempo das floreiras
.
Não tenham dúvidas que é conhecido como PARQUE TRIANON

Explicações necessárias
TENENTE SIQUEIRA CAMPOSmilitar e político brasileiro que participou da Revolta Tenista ocorrida em 1924, um dos acontecimentos mais importantes ocorridos na cidade de São Paulo.
E quem se lembra da Revolução Tenentista de 1924 em São Paulo? E, sabia que ela foi muito mais sentida do que a Revolução de 32?  Por ora só algumas informações: durou 22 dias (cinco a 28 de julho), a cidade sofreu bombardeio aéreo e deixou para trás mais de 500 mortos (a maioria civis) e um grande número de feridos. Testemunha hoje com buracos de tiros de canhão, é a chaminé da antiga usina de força da rua João Teodoro
TRIANON - O nome Trianon foi dado por conta da existência do Belvedere  Trianon, localizado em frente ao parque e desenvolvido pelo arquiteto Ramos de Azevedo de 1911-1914, construído em 1916 e demolido em 1957 para dar lugar ao museu.


Um sábado de 2017 pela manhã. Me aventuro a dar uma olhada no Parque (Tenente Siqueira Campos ou Trianon?).
Desço do ônibus e sou “saudada” pelo Anhanguera, Bartolomeu Bueno da Silva. Não tem identificação. A placa foi roubada.


A obra foi concebida em Gênova, na Itália pelo escultor Luiz Brizzolara e inaugurada em 11 de agosto de 1924, nos jardins do Palácio dos Campos Elíseos. Depois de 11 anos foi transferida para a frente do parque Trianon.
Mármore (3,22m x 1,41m x 1,08m), Pedestal – Granito (1,06m x 2,25m x 2,25m).
Corajosamente entro no parque. Ninguém à vista. Vim por conta de um anuncio de exposição fotográfica no parque.  Na verdade, meia dúzia de cartazes dependurados informalmente. Nenhuma foto que eu não conhecesse. Mas, prestei atenção em algumas coisas que já sabia, mas gosto de revisitar: o piso, feito com pedras portuguesas, algumas informações atualizadas, bancos modernos e uma vegetação exuberante, canto de pássaros, ruídos de animais. São remanescentes de Mata Atlântica, preservados e que constitui o ‘pulmão” desse entorno da Av. Paulista.

E vou visitar o que me atrai:  duas esculturas conhecidas: O Fauno de Brecheret e a Aretusa de Francisco Leopoldo e Silva


"FAUNO" Victor Brecheret - escultura em granito 3,40m x 1,40m x 1,45m com pedestal em granito 1,72m x 1,82m x 2,00m



ARETUSA -  - Na mitologia grega, Aretuza era uma ninfa " espíritos habitantes de lagos, riachos, bosques, florestas, prados e montanhas. Por isso é frequentemente erigida como adorno de fontes ou entre plantas, caso deste monumento que fica no Parque

Pela proximidade Aretusa e o Fauno podem “tirar uma linha” como se dizia antigamente. Metaforicamente falando constituem “um casal”.


Mas, onde está a NOSTALGIA? E aí vem uma história que não pode deixar de ser contada.


 NOSTALGIA – criada pelo escultor Francisco Leopoldo e Silva para fazer par com a obra ARETUSA, instalada no Parque Trianon, a escultura NOSTALGIA está hoje localizada na praça Professor Cardim, em frente ao Jóquei Clube, na Av,Lineu
 de Paula Machado.

Desde há muito tempo inconformada com a separação das duas ninfas que faziam parte do Belvedere Trianon e separadas em 1957 quando ele foi demolido, fui até a atual morada de NOSTALGIA. Ela exibe artelhos quebrados, uma feia cicatriz na face e a alvura do mármore maculada pela poluição. Em uma praça triste e quase deserta, ela está mais solitária do que nunca.

Conta Luiz Simões Saidenberg que acompanha a história das duas ninfas desde 1955. “Tomava o bonde Angélica e ao passar por lá era um deslumbramento” Por décadas os caminhos da vida o separaram das ninfas até pouco tempo atrás, quando a saudades o fez procura-las. “Foi quando nós demos por falta de NOSTALGIA” diz ele, ressaltando que o “nós” é um grupo de pessoas arregimentadas pela mesma angústia da saudade perdida. “Localizamos Nostalgia e agora a luta é para leva-la de volta ao Trianon, onde de nunca deveria ter saído. Já escrevi a órgãos competentes, mas ninguém se dignou responder”.

Nas pesquisas atuais, consegui saber que: essa estátua de NOSTALGIA é uma cópia. Segundo a Prefeitura, havia uma placa de bronze identificando. Foi roubada. 

E mais:

 “Em 1920, o prefeito Firmiano Pinto adquiriu uma cópia da peça premiada, juntamente com a 'Aretusa’ para embelezar o Parque Trianon .Era um momento  em que foram adquiridas várias obras de arte em São Paulo, como forma de “embelezamento da cidade feito pela prefeitura pelo centenário da independência”.

Nos anos 1970, “por causa de obras de remodelação da Paulista”, segundo a prefeitura, “Aretusa” e “Nostalgia” mudaram de lugar. A primeira foi realocada para o interior do Parque Tenente Siqueira Campos (Trianon). A outra foi para uma praça em comemoração ao centenário de nascimento do professor que dá nome ao local, Carlos Alberto Gomes Cardim.

Mas, ainda tenho esperança que a NOSTALGIA volte para o parque junto com sua “irmã” ARETUSA, dando ao FAUNO uma outra companhia feminina.  E se não vierem as chuvas, alguém vá dar um “banho” na ARETUSA que está sujinha, sujinha.


Mas o assunto era o Parque Tenente Siqueira Campo (ou Parque Trianon)  e eu desviei por trilhas secundárias.
Explicações necessárias.
TENENTE SIQUEIRA CAMPOS – militar e político brasileiro que participou da Revolta Tenista ocorrida em 1924, um dos acontecimentos mais importantes ocorridos na cidade de São Paulo.
E quem se lembra da Revolução Tenentista de 1924 em São Paulo? E, sabia que ela foi muito mais sentida do que a Revolução de 32?  Por ora só algumas informações: durou 22 dias (cinco a 28 de julho), a cidade sofreu bombardeio aéreo e deixou para trás mais de 500 mortos (a maioria civis) e um grande número de feridos. Testemunha hoje com buracos de tiros de canhão, a chaminé da antiga usina de força da rua João Teodoro
TRIANON - O nome Trianon foi dado por conta da existência do Belvedere  Trianon, localizado em frente ao parque e desenvolvido pelo arquiteto Ramos de Azevedo de 1911-1914, construído em 1916 e demolido em 1957 para dar lugar ao museu

Em uma visão por satélite situa o Parque com as proximidades de ruas conhecidas, estação do metrô, Masp.....
.

 Em uma visão desenhada mostra um parque dividido por uma rua, a Alameda Santos, e a necessária passarela para unir as duas partes




    Em visões aéreas mostra suas relações com o espaço entorno.


    




O parque, seja Tenente Siqueira Campos ou Parque Trianon e seu vizinho de frente, o Belvedere Trianon (depois MASP) tem uma relação histórica que não pode ser ignorada.

Ambos fazem parte da Avenida Paulista, ícone e a mais paulista das avenidas, que foi aberta pelo engenheiro Joaquim Eugenio de Lima no alto do Caaguaçú (Mato Grande) entre os rios Tietê e Pinheiros. Fica no espigão central da cidade que tem largura variando entre 100 e 300 metros e altitude média entre 815 e 820 metros.
A Avenida tem cerca de 3km de comprimento e 30 metros de largura dividida em três faixas: uma para bondes, a do centro para carruagens e outra para cavaleiros. Para ela foi destinada uma área para o parque que hoje é objeto de nosso texto.  A Avenida Paulista foi inaugurada em 8 de dezembro de 1891 e foi registrada por uma aquarela de Jules Martin



Dia da inauguração da Av. Paulista.  O limite era então a estrada de Santo amaro, atual Av. Brigadeiro Luiz Antônio. À direita a mesa de doces para convidados. Ao fundo à esquerda a área reservada para o futuro Parque –Aquarela de  Jules Martin

A região entre a Avenida Paulista e a Alameda Itú é coberta de mata natural e isso  inspirou os  empreendedores  a destinar duas quadras dessa mata, entre a Alameda Casa Branca e a Alameda Limeira (atual Peixoto Gomide) à criação de um parque. Esse espaço se situa exatamente no eixo do Vale do Saracura (atual Avenida Nove de Julho) o que assegura vista livre para o centro.

O PARQUE foi inaugurado em 3 de abril de 1892, um ano depois da inauguração da avenida Paulista em um processo de urbanização da cidade de São Paulo. Ganhou  ares de um jardim inglês, apesar de sua exuberante vegetação tropical, remanescente da Mata Atlântica da região do alto do Caaguaçu, atual espigão da Paulista  O responsável pelo projeto paisagístico foi o francês Paul Villon.
Ocupa 48.600 m² em uma parte mais larga do espigão da Avenida Paulista. Sua vegetação é composta por remanescentes da Mata Atlântica, destacando-se araribá, cedro, jequitibá, pau ferro, Sapopemba, sapucaia, jacarandá…como grandes árvores.
                                                                Araribá                                         

                                                               Sapopemba

Sua fauna é formada por aracnídeos em geral, a rãzinha-piadeira, e na grande maioria por seres alados sendo duas espécies de borboletas, sete de morcegos e 28 de aves como tico-tico, sabiá.......A rãzinha piadeira é responsável pelo pi-pi-pi dos fins de tarde por quem passa pelo parque. Tem 2,5 cm e pode estar ameaçada de extinção. Só ainda está no parque porque o espaço não foi desmatado.
Rãzinha-piadeira

  Em 1924 o Parque foi doado à Prefeitura e em 1931 – Recebeu o nome atual em homenagem ao tenente Antônio de Siqueira Campos.
Por muitos anos, foi ainda conhecido como Parque da Avenida e era explorado pela iniciativa privada,
A partir de 1968, na gestão do prefeito Faria Lima, o parque passou por várias mudanças que tiveram a assinatura do paisagista Burle Marx e do arquiteto Clóvis Olga. O parque é tombado pelo CONDEPHAAT e pelo CONPRESP.


O BELVEDERE TRIANON com projeto de Ramos de Azevedo, foi inaugurado em 1916 com o Clube, um misto de restaurante e confeitaria que, em pouco tempo, tornou-se era um ponto de encontro obrigatório da alta sociedade da época.
Pouco acima do nível da Paulista, foi aberta uma larga esplanada envidraçada onde funcionavam os bares superiores com várias mesinhas de concreto e tampo de mármore espalhadas, onde era servido ao livre o chá das cinco, o chiquérrimo "five o'clock tea", como então se dizia.
Belvedere ao nível da avenida. Em frente o Parque
Belvedere frente á avenida


Belvedere parte aproveitando o declive
Mesas espalhadas
Pergula do Belvedere com as duas estátuas Aretusa e Nostalgia
Ao fundo
Vista para o centro da cidade do terraço do Trianon - 1


Vista do centro da cidade a partir do terraço do Trianon - 2
antes de 1957 ano da demolição do Belvedere

Nas décadas de 1920-1930 frequentado pela intelectualidade paulistana, o Parque e o Belvedere transformaram-se em símbolo da riqueza da elite paulistana r formavam um harmonioso conjunto integrado
Na avenida entre ambos ocorria a largada de várias corridas de automóveis, corso de carnaval.........
    
                                                         Corso na Avenida Paulista       


                                                    Corrida de carro em frente ao Trianon

Em 1957 o Belvedere Trianon foi demolido para dar lugar à construção do Museu de Arte de São Paulo – MASP
Mas, isso já é uma outra história que fica para uma outra vez.



PARQUE TRIANON E MASP CONTINUAM COM A VIZINHANÇA FRENTE A FRENTE.